Oficina: Sobre a escrita que está em nós | Ministrada por Aline Bei

Estão abertas as inscrições para a oficina “Sobre a escrita que está em nós”, ministrada por Aline Bei. Serão 10% vagas direcionadas a alunas e alunos da Uneafro Brasil,  que ganharão bolsa integral. A Oficína acontecerá ao vivo por vídeo conferência no zoom dos dias 14 a 28 de julho, às 19hrs.

Uma oficina de escrita em que os integrantes poderão investigar as possibilidades temáticas e estéticas dos textos que produzem, independentemente do gênero. O trabalho será realizado a partir de provocações lúdicas, promovidas pela mediadora, com o intuito de despertar/aprimorar o olhar interior ou o olhar de si em uma atmosfera imersiva, proporcionando uma produção textual durante o curso. Os encontros serão usados para aprofundar ideias sobre a escrita, escrever os textos propostos, além de ler e ouvir alguns textos produzidos.

A oficina de escrita pretende proporcionar um ambiente fértil, lúdico e acolhedor para a produção literária. Assim, é de suma importância investigar a dicção de cada integrante, as potências e as especificidades da linguagem, além de promover a escuta crítica de outros textos além dos próprios. Com os exercícios e as leituras coletivas dos textos produzidos durante os estudos, a oficina tem o intuito de integrar o grupo, fortalecê-lo e criar uma rede de escritores-leitores que possam se apoiar no futuro. Por fim, o curso almeja estabelecer uma rotina semanal de escrita e leitura, algo que a mediadora considera fundamental para a formação de um escritor.

Para tanto, os participantes serão guiados por três chaves criativas, uma por encontro:

14 | julho | 2021 | 19h

Aula 1 – Obsessões

Depois das apresentações iniciais, a mediadora falará um pouco sobre os temas ou assuntos que a perseguem, e que acabaram sendo descobertos a partir do momento em que ela olhou para os seus textos curtos tentando montar um livro de contos e não conseguiu. Era 2015. O seu primeiro romance, O peso do pássaro morto, nasceu justamente dessa observação do próprio trabalho, em 2016. Depois, a autora falará sobre as obsessões de outros artistas que ela admira, como Van Gogh, Pina Bausch e Louise Bourgeois. Então, ela projetará um inquérito poético na tela do Zoom, para que os participantes respondam e depois escrevam um texto, não importa o gênero, que de alguma forma contemple pelo menos uma das inquietações que foram desnudadas no inquérito.

21 | julho | 2021 | 19h

Aula 2 – As pessoas que nos habitam

Depois de algumas leituras que serão sorteadas (já que haverá tempo para três ou quatro leituras, no máximo) dos textos produzidos a partir do inquérito poético, a mediadora irá contar um pouco sobre o seu processo de construção de personagem e como ele é atravessado pela sua experiência no teatro. Depois dessa troca, a mediadora irá propor uma ida ao espelho. Imagine que o seu banheiro é o camarim de um velho teatro. Encontre no seu rosto um outro rosto possível, ainda que você tenha que usar adereços para isso ou mudar a luz. Quando sentir que encontrou uma nova máscara, vá para a folha e nos conte: quem é essa pessoa? Quais são os seus hábitos e sonhos? Ela já se apaixonou por alguém, por algo? O que ela esconde, até mesmo de si?

28 | julho | 2021 | 19h

Aula 3 – Tessitura

Depois da leitura de algumas personas, a mediadora contará um pouco sobre como montou a sua narrativa em seus dois livros, ambos fatiados pelo Tempo e pelo Trauma. Todos pensarão juntos sobre como dividir os capítulos, como estabelecer uma ordem no caos.

Para a provocação do dia: escreva de quatro a oito cenas que convivam entre si (elas podem ser pequenas, no esquema polaroide) e então escolha a ordem de montagem. A proposta é escrever um microrromance do tamanho de uma ervilha. Os participantes podem escolher o tema a partir do próprio inquérito poético ou pedir uma inspiração que a mediadora terá em uma caixa. Serão situações do tipo: um assassinato, um suicídio, uma traição, o nascimento de um bebê, apaixonar-se por alguém etc.

Nota: É importante que o personagem que você encontrou no próprio rosto também habite a sua história.

Não se esqueça de focar na montagem das cenas. Por que você escolheu esse caminho? Com qual elemento você monta a sua narrativa? Com sangue, terra, água, linha, tecido, fogo? Você é um arquiteto escrevendo? Ou um dançarino? Um jardineiro, talvez um pintor.

Público-alvo: Escritores e aspirantes a escritores que queiram aprofundar seus processos criativos em grupoÉ importante que o inscrito esteja aberto para novas experiências, também para o mergulho em si mesmo, já que a mediadora costuma ser híbrida em suas provocações, por ter uma formação tanto literária quanto cênica. É importante lembrar que este não é um curso teórico, e sim prático-lúdico. Aberto ao encontro, ao diálogo, e especialmente às experiências que possam surgir dessa troca.

ALINE BEI nasceu em São Paulo, em outubro de 1987. É formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia Helena. Foi colunista do site cultural Livre Opinião — Ideias em debate, editora-chefe do site cultural OitavaArte e escritora convidada na Primavera Literária, na Universidade Sorbonne, França, em 2018. Também em 2018 participou da Feira Internacional de Guadalajara. Em 2019 participou da Bienal do Rio de Janeiro e da Bienal de Alagoas, além de diversos eventos em Clubes de Leitura, Oficinas de Escrita Criativa e unidades do Sesc. O peso do pássaro morto, finalista do prêmio Rio de Literatura e vencedor do prêmio São Paulo de Literatura e do prêmio Toca, é o seu primeiro livro. Será traduzido para o francês em 2021. Acaba de lançar seu segundo livro, Pequena coreografia do adeus, pela Companhia das Letras.

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